Bruna Longobucco

"Yuma caminhou por mais de duas horas. Gostava de conversar com os pássaros, da liberdade que sentia quando não precisava ser guerreiro e tornava-se apenas parte da floresta.
Então, ouviu passos e teve certeza de que não se tratava de um animal.
Logo, seus sentidos estavam em alerta.
Íria sentiu alguém se aproximar e se escondeu em meio à folhagem. Mas sua intuição nunca falhava e soube que aquele encontro era necessário.
De repente, deixou o abrigo dos ramos verdes e o viu. Aquele era o homem com quem vinha sonhando há quatro luas.
Um nativo daquelas paragens, com cabelos pretos e lisos que caíam abaixo dos ombros, pele escura e corpo perfeito.
Fixou o desenho do sol em seu peito e, em resposta, a marca da lua em sua nuca queimou.
Yuma a encarou num misto de medo e curiosidade. Seria uma deusa?
Sob a luz do sol que se infiltrava entre as copas das árvores altivas admirou a pele alva e os cabelos ruivos que ultrapassavam a cintura e brilhavam feito cobre polido.
A fêmea tinha olhos verde-esmeralda e sua beleza tirou-lhe o fôlego.
Eles eram diferentes. Nem sequer falavam a mesma língua e não eram só diferenças étnicas e culturais. Havia um mundo entre eles.
Eram lua e sol e, mesmo assim, Íria sabia que estavam predestinados."

Trecho do prólogo

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